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Olhar no passado, pensamento no futuro

Projeto do curso de História de UFPel apresenta a primeiras ruas da cidade com forma de estimular cidadania

É importante sempre olhar para trás, se o nosso objetivo é encarar o futuro. Conhecer a si mesmo antes de buscar o crescimento necessário. Vale para as pessoas, vale para as cidades. No dia do aniversário de 209 anos da emancipação de Pelotas, conheça o projeto Pelotas: Primeira Ruas, nascido no curso de História da UFPel, que ajuda a construir esse processo.

A ideia nasceu com o intuito de ativar as memórias da comunidade pelotense, através da criação de páginas nas redes sociais com fotos das ruas que compõem o traçado urbano da cidade a partir de 1815, em um contexto de necessidade de fortalecimento da preservação, da participação popular e da conscientização cidadã. "Buscamos oportunizar um exercício de pertencimento, de vínculo ativo com a cidade, de exercício da cidadania inclusiva e plural. As pessoas identificam-se com a cidade através das fotos e esta identificação alimenta o sentimento de pertencimento que elas possuem com Pelotas, contribuindo para tornar mais efetivo o compromisso de cada um com a sua cidade", comentam, em respostas conjuntas, a coordenadora do estudo, professora Ana Inez Klein, e as graduandas Nina Santos Machado e Vitória de Souza Borges.

A proposta foi elaborada coletivamente de forma remota pela turma da disciplina de Educação Patrimonial do Curso de Licenciatura em História da UFPel. Aproximadamente 30 pessoas estão envolvidas em grupos que se dividem na redação, na elaboração da metodologia e na pesquisa propriamente dita pelas ruas. A partir deste trabalho, foi selecionada a planta do primeiro loteamento urbano de Pelotas através da obra Negros, charqueadas e olarias: um estudo sobre o espaço pelotense, publicada pela professora Esther Gutierrez em 2001.

Com início em março de 2021, o grupo realizou estudos sobre conceitos gerais de educação patrimonial e, posteriormente, avançou para a redação do projeto intitulado A Rua como Território Educador: a Educação Patrimonial e a pesquisa dos nomes de ruas de Pelotas, baseado na criação de postagens nas redes sociais. Nesse sentido, até o momento foram disponibilizados materiais referentes a ruas do centro da cidade, como Senador Mendonça, Major Cícero, Santos Dumont, Félix da Cunha e Gonçalves Chaves, tidas como o embrião da cidade para determinadas linhas de pesquisa.

"As ruas escolhidas como as primeiras da cidade abrigam as mais antigas construções de pelotas, como os casarões em volta da praça. Estas construções fazem parte da história da cidade, constituem-se objetos culturais, históricos, artísticos, deixados de herança para enriquecer os olhos de quem passeia por elas hoje em dia e para desafiar este olhar a pensar a cidade, a cidade que temos, a cidade que queremos, enfim, a nossa responsabilidade sobre ela", reflete o grupo.

Aos poucos, moradores das ruas presentes nas fotos começaram publicar comentários, cheios do sentimento de pertencimento. O volume tem sido surpreendente, até por se tratar da primeira experiência da equipe em projeto totalmente remoto, on-line. Porém, em menos de dois dias as curtidas nas publicações já somavam 260. Em um mês, já são 400, além de assídua participação em enquetes periodicamente postadas. "O trabalho levou informações para os moradores e ex-moradores, curiosidades em relação a formação das primeiras ruas de Pelotas e nos incentivou a continuar com o projeto, criando novas formas de interação com a comunidade, mesmo depois que a disciplina for concluída."

Mas e o futuro?
Mônica Mazina mora na Miguel Barcellos há 30 anos. É a terceira geração vivendo em casa branca, cercada de plantas e estrutura preservada. Ela gosta de morar no local. Tem relação próxima com vizinhos, que também habitam a rua por décadas, e é sócia do clube Diamantinos, onde ela e a mãe, Maria Valesca, fazem hidroginástica. O clube é a principal referência afetiva da localidade para Mônica.

Mas ela também quer olhar para frente. O apego ao lugar onde mora também se manifesta na ânsia por melhorias. Ela reclama da falta de segurança, do acúmulo de lixo e, principalmente, da falta de iluminação. Na quadra onde mora, apenas um poste funciona - e nem sempre. "Quando chega a noite, todo mundo se ajuda e vai deixando as luzes ligadas. É assim que a rua se ilumina", comenta.

Surgimento
De acordo com o Observatório Geográfico América Latina, o território onde hoje se encontra Pelotas teve ocupação - séculos após a feita pelos indígenas, claro - assinalada pela outorga de carta de sesmaria ao Coronel Thomaz Luiz Osório, feita pelo governador do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade, em 1758, denominado de Rincão das Pelotas. Estas terras apareceram assinaladas em mapas em 1777, onde se verificaram os limites como sendo desde a Serra dos Tapes até a Laguna dos Patos, limitando-se a sudoeste pelo Canal de São Gonçalo, até o Arroio Corrientes, ao norte.

Diz o texto: "O primeiro sítio de Pelotas é sobre um terreno que pertenceu a Antônio Francisco dos Anjos que demarcou quarteirões em forma de tabuleiro, herança da organização urbana de Portugal, constituindo-se em 19 ruas, 12 longitudinais e 7 transversais, no sentido norte-sul, entre a Avenida Bento Gonçalves e a rua General Neto, no sentido leste-oeste entre as ruas Barroso e Marcílio Dias. Já o segundo lote será construído nas terras de Dona Mariana Eufrásia da Silveira, vizinhas ao lote de Antônio dos Anjos, que concede o mesmo em 1830, já em direção ao sul, aproximando-se do Canal de São Gonçalo."

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